Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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30 de jan de 2015

Fulano de Tal

Fulano de Tal
Fulano de Tal nasceu em algum lugar em certo dia de certo mês de determinado ano. Filho de seu pai e de sua mãe, nasceu em um lar de classe média baixa. Foi um neném comum, como todos encheu o saco de seus pais com manhas, cólicas, fazia cocô em horas impróprias…
Na infância frequentou um colégio estadual, sentava na turma do fundão da classe, reprovou no 4º ano, mas como não podia reprovas, passou de ano… Aprendeu muitos palavrões e sua mãe colocava pimenta em sua boca, denunciou a mãe ao Conselho Tutelar, que deu uma espinafrada na mãe. Xingou a mulher do Conselho Tutelar, levou uma bordoada… não tinha pra quem reclamar. Teve sarampo, catapora, rubéola, caxumba e bronquite. Foi vacinado contra um monte de coisa, e sempre berrava muito na hora da vacina.
Chegou na puberdade, estranhou seu corpo mudando, perguntou para seu pai, o qual disse que é assim mesmo. Um amiguinho ensinou a manipular certas partes, gostou muito. Caiu da bicicleta, quebrou o braço. Descobriu que existem meninas, as quais são chatas.
Na adolescência começou a fumar escondido. Chegava tarde em casa nas noites de sábado, levava esporro do pai, mas não dava a mínima porque não podia ser castigado. Continuou no mesmo colégio. Descobriu que as meninas não são tão chatas, afinal. Aprimorou as técnicas de manipulação de certas partes, agora pensando em meninas.


Acabou o Curso Médio, fez o ENEM, foi mal em redação, em matemática, em história, em geografia, em tudo.  Acabou em faculdade particular no curso de Direito, trancou matrícula porque era chato e o pai achava caro, foi estudar computação em um desses cursos avulsos, quebrou o computador do pai, levou esporro, mas não deu a mínima. Voltou para a faculdade, acabou o curso, conseguiu uma dessas bolsas do governo, não passou no exame da OAB, arrumou emprego numa loja, foi demitido porque chegava atrasado sempre e faltava. Continuou vivendo de mesada do pai. Nunca devolveu o dinheiro da bolsa do governo. Ficou com CPF sujo, mas e daí?
O pai e a mãe se separaram, teve de ficar morando com a mãe, porque o pai se mandou com uma garota e foi morar em outra cidade. Não tinha mais mesada, mas recebia pensão do pai. Arrumou um emprego, mas ainda dependia da mãe. A mãe se ajeitou com um antigo amigo do pai.
Conheceu a Rosinha, menina vivida pacas, fez um filho nela, acabou casando e foi morar na meia-água no fundo da casa dos pais dela. Brigava com a sogra, levou porrada do sogro, arrumou emprego em uma oficina mecânica e acabou se mudando para um bairro na periferia, abandonando a Rosinha, o sogro, a sogra e o filho. Rosinha arrumou um outro cara.
Parou de fumar por causa da bronquite, mas continuou bebendo, “socialmente”, dizia.
Virou sócio da oficina. Acabou ganhando um bom dinheiro, comprou uma casa em conjunto habitacional e trouxe a Juliana para morar com ele, ela e seus três filhos de pais desconhecidos. Adotou os moleques.
Um dia, bebeu mais que podia, e ao voltar para a casa, foi vítima de uma bala perdida, que depois a polícia descobriu que não era tão perdida, mas tinha a ver com uma briga de uns dois anos antes, e um lance de certos pacotinhos dos quais ele não prestou contas.  Foi levado às pressas para o hospital.
Morreu antes de chegar lá. Juliana foi buscar o corpo no IML, e fez o enterro.
Fulano morreu assim, em certo dia de certo mês de certo ano, pelas três da madrugada.  Foi pro céu? Não sei, era ateu.
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